domingo, setembro 11, 2005

Recordando Antero de Quental



Antero de Quental (1842-1891) nasceu em Ponta Delgada, Açores. Frequentou a Universidade de Coimbra, tendo passado depois algum tempo em Paris. Viajou pelos Estados Unidos e Canadá, fixando-se em Lisboa. Pertenceu à à chamada Geração de Setenta, grupo que pretendia renovar a mentalidade portuguesa, e participou nas Conferências do Casino. Foi amigo, entre outros, de Eça de Queirós e Oliveira Martins. Atacada por uma doença do foro psiquiátrico, regressa aos Açores onde se suicida. As suas obras vão da poesia à reflexão filosófica:

“AD AMICOS”

Renasço, amigos, vivo! Há pouco ainda
Disse ao viver “Afunda-te no nada!”
E já, bem vedes, surjo à luz doirada
-No lábio o rir, no peito esp’rança infinda.

Ah, flor da vida! Flor viçosa e linda!
Envolto na mortalha regelada
De só pensar – perdão! - Foste olvidada…
Flor do sentir e crer e amar…bem-vinda!

A vida! Como a sinto, ardente, imensa!
Não única! Tomando a imensidade!
Livre! Perante Deus surgindo forte!

Que amor! Que luz! Que pira vasta, intensa!
Plenitude! Harmonia! Realidade!
Mas melhor que tudo isto é sempre a morte.

Antero de Quental


In projecto vercial

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